A Real de Viver Fora Do Brasil: O que você precisa saber

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Com a Crise de volta ao cenário Tupiniquim, o desejo de deixar o país e partir para o exterior, tem ressurgido com força novamente. E muitos não sabem qual é a real de viver fora do Brasil.

Tenho acompanhado nas redes sociais e nas comunidades de expatriados, brasileiros perguntando como é a vida no exterior. Como vivo aqui na Espanha algum tempo e por minhas andanças pela Europa, recebo muitas perguntas, as quais tenho respondido para as pessoas que desejam deixar o país.

Tenho percebido o desespero e a incerteza das pessoas no futuro.

Mas afinal, o que é esse medo?

O medo pode ser entendido como a permanência no Brasil no qual enfrentará:

  • falta de oportunidades
  • insatisfação
  • tempo perdido
  • insegurança…

Tudo isso é questionável e subjetivo e para solucionar os problemas, a fuga surge como a alternativa. Talvez você pense…quem sabe lá do outro lado, tudo será diferente. Como diria Manuel Bandeira:

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que quero

Na cama que escolherei

E na realidade as coisas não são dessa maneira e muito menos a banda toca assim. Digo isso por experiência própria, viver fora não é um mar de rosas. Lembre-se que estará vivendo em terras estrangeiras, que terá que se adaptar a uma série de coisas que possivelmente você não estava acostumado antes, exemplifico:

  • O frio, por mais que você venha de uma região que faça frio e goste muito dele, chegará um momento que ele vai lhe cansar e até lhe estressar;
  • Aprender a ser flexível, o tempo lhe exigirá isso, por bem ou por mal;
  • Estar legal aqui não lhe brindará de passar por perrengues e não lhe garantirá portas abertas;
  • Abrir mãos de suas verdades e guardar para si sua moral, não usá-la para apontar e acusar;
  • Deixar o hábito de sempre querer agradar a todos, ser direto lhe deixará mais leve: sim é sim e não é não;
  • A burocracia lhe ensinará que o jeitinho brasileiro não lhe dará aquela mãozinha;
  • Encarar o tempo todo, a estar fora da zona de conforto;
  • Aprenderá aqui no exterior, ao menos na Europa, a conjugar primeiro o verbo Ser e depois o verbo Ter.

E outra coisa

Você como muitos, podem estar reclamando do Brasil que é corrupto e com certa razão. No entanto, se esquece que um país é formado por pessoas. Logo você e eu que vivemos nesse Brasil somos culpados ou indiretamente somos responsáveis pela corrupção também.

Então, você pensa, se eu mudar para um país de“primeiro mundo”minha vida será diferente…talvez você esteja romantizando demais.

Claro que todos têm o direito de emigrar e de buscar oportunidades onde quer que elas estejam. Todos têm o direito de viver o sonho além-mar, porém é preciso ressaltar que tome muito cuidado. Não crie expectativas demais, encare que viver outra realidade diferente daquela que todo uma vida a conheceu não é tarefa fácil e muito menos deleitosa.

A adaptação é complicada e, quanto mais realista, mais preparado e leve estiver, melhor será a experiência e a integração. Mas afinal, quem realmente está preparado para o novo? Guarde que irei lhe dizer, terá que fazer uma escolha(ou não): como você quer viver? Às margens ou no meio?

A real de viver fora do Brasil é que quando a gente vive às margens no exterior, na verdade é só o corpo que está presente e o resto está longe. Ou porque a saudade está consumindo sua energia, lhe roubando sua motivação e seu foco. Ou porque mesmo estando em outro país, continua vivendo no seu( Brasil) e isso é um perigo a médio e longo prazo.

Vivendo às margens

Uma pessoa vivendo às margens, não aprende de verdade a língua local, não se integra ao meio que está inserido, não sente a vibe, não aproveita de verdade a experiência de estar numa outra cultura. Sempre está comparando com o Brasil que deixou, da forma mais equivocada, vendo somente os defeitos.

Não pense você pelo simples fato de estar no país seja qual for, que a fluência virá e tudo será maravilhoso. Encare isso naturalmente, pois isso é a real de viver fora do Brasil.

Esquece que a mídia e a televisão dizem, que basta estar no exterior que será fluente. Pergunto, como você aprendeu o Português? Estudando ou falando?

A língua é viva e orgânica, se decidiu viver às margens, dificilmente chegará a tal fluência. Porque às margens você estará se relacionando com patriotas e imigrantes que por estar vivendo uma realidade parecida, longe do seu habitat, as pessoas continuarão vivendo como se estivessem em seus respectivos países( falando suas línguas, mantendo os seus costumes, não se esforçando para se integrar e etc)

Porém se decidiu viver no meio você terá a obrigação pessoal e social de falar. E quem sabe, se quiser é claro, de dominar o idioma local, de respeitar a cultura, os costumes e se relacionar com os nativos. Então, as chances de você se tornar fluente será muito grande, eu diria que quase obrigado a ser.

Decodificando o significado: A real de viver fora do Brasil

Perceba que quando me refiro a estar às margens ou no meio, não falo sobre a questão geográfica, também poderia, mas principalmente sobre a mentalidade, como diria os coaches: Mindsite.

Uma postura que terá que adotar para que sua estância no exterior não seja curta e traumatizada, para que o desejo de voltar não seja sempre sua constante, mas uma atitude correta será seu norte.

A real de viver fora do Brasil é quando chegamos num novo país, nem sempre teremos condições de morar nas melhores localidades e muito menos faremos amizades com nativos facilmente, nem teremos idioma para isso.

Não venha com preconceitos sobre conviver com brasileiros, porque no início os brazucas serão aqueles brothers que vão lhe ajudar a buscar um trabalho e lhe dar aquelas dicas que todos necessitam para se localizar.

Não sai do Brasil para continuar vivendo como no Brasil

No entanto, viver no meio, tem seu preço, eu creio quem estiver disposto a pagar, adquirirá uma nova consciência e percepção. Deixará a mania de brasileiros de achar que somos o povo mais aberto e mais legal do mundo. E, como tal, espera que todos assim sejam, na verdade isso é relativo.

Se conversar com um Espanhol, verá que ele se auto considera o povo mais aberto e legal da Europa, porque aqui também tem muito sol, praia e festa. Viu que tudo depende do ponto vista e da forma como você foi orientado.

É no meio onde estão os nativos, onde você terá mais oportunidades de se relacionar e consequentemente, de praticar a língua, fazer amizades e construir seu network.

Então, venha com as bagagens leves( menos expectativas), que o percurso será um pouco tranquilo, aproveite a jornada para apreciar as paisagens, as pessoas, acolher as experiências. Adquirir um novo olhar sobre a vida e sobre si mesmo, se relacionar e viver.

Não seja você mais um se tiver a oportunidade de viver fora, de estar inserido em outra cultura e mesmo assim, não crescer como pessoa, não ampliar sua consciência sobre o mundo que vivemos, não quebrar seus paradigmas e suas crenças limitantes.

Só conhecemos o nosso país quando o deixamos e aprendemos a vê-lo de longe.

Não saia do Brasil para viver como se estivesse vivendo no Brasil, lembre-se que sempre será um estrangeiro por essas bandas.

Porém isso não lhe impede de você sentir-se integrado ao país no qual decidiu viver, chamá-lo de seu, caso um dia venha acontecer. Essa é a real de viver fora do Brasil. Como diz o escritor Peruano Mario Vargas LLosa….